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Ecologia e democracia

Ecologia e democracia
Todos se preocuparam com o lado Misógino e racista do novo presidente e com este recorrente medo ao não respeito à democracia.
 
Mas me parece oportuno relembrar que quando houve atentados em Paris, especialmente do Charlie Hebdo, muita gente criticou o #jesuisParis, mostrando que não entenderam que o manifesto da época era para o respeito à liberdade de expressão que é uma das manifestações mais importante da democracia, o respeito às opiniões.
 
O Brasil mostra que precisa de esclarecimento sobre os fundamentos dessa tal de democracia.
 
Hoje o único aspecto realmente preocupante com relação ao respeito da democracia do plano de governo, e é preocupante porque é o único ponto que ele fez questão de não mitigar, é a posição do futuro presidente da república sore a gestão do meio ambiente e da amazonia.
 
A democracia e os valores ditos de “esquerda” são em verdade fundamentados no respeito às características humanas das condições de vida da população, e isso não tem a ver com “bolsa qualquer coisa” porque trata-se de manter o poder aquisitivo, o que é uma preocupação material, necessária, porém material.
 
O primeiro valor que o humano precisa defender é seu direito ao seu relacionamento natural com sua terra. É na sua terra que pisa, da sua terra que se alimenta o homem. É no seu solo que brincam e se desenvolvem suas crianças. E do seu relacionamento com a terra que nasce a cultura, no sentido mais amplo da palavra.
 
Sem gramado sim, mas sem a terra não se joga bola…
 
A democracia, o progresso humano não começam com economia, com politicas de manutenção de salários, de privatizações ou centralização de gestão do estado.
 
A democracia começa com conscientização ecologica.
 
Aliás, a história nos mostrou isso algumas vezes.
 
Não é certamente por acaso que comecei lembrando os atentados de Paris que, como todos os eventos de invasão violentos, alimentaram as sombras do neofascismo e da extrema direita e da suas politicas migratórias e apologia ao fechamento das fronteiras, que nada mais é que o controle da livre circulação dos ser humanos e entrave à liberdade de escolha, direcionando em qual solo podem ou não pisar certos pês em função de onde nasceram os corpos que neles pesam, de que passaporte ou não possuem, sem se lembrar que a maioria deles está justamente procurando um novo solo de onde tirar seu sustento, pois o seu, onde nasceu, onde gostaria de ter ficado, foi roubado pelos mecanismos do consumismo exacerbado que alimenta as ditaduras.
 
Também não por acaso comecei o dia lendo Leandro Karnal e suas lembranças à revolução francesa, onde começou a vaga de volta a democracia e eliminação das então ditaduras que eram as realezas.
 
E um dos eventos que levou a este momento de grande impacto sobre o destino de todas as nações do mundo, foi então conhecido como o do “pão de samambaia”. Quando, sem condição de cultivar trigo, o povo começou a se alimentar de pão feito da farinha das sementes de samambaia.
 
Evento que levou até a rainha da época a dizer “mas porque reclamam ? não tem pão ? que comem bolo !”.
 
A democracia moderna nasceu porque os nobres controlavam a terra, e da total desconexão entre as realidades de quem a possuía e de quem dela precisava se nutrir.
 
Outra lembrança das sombras da “ideologia fascista”, temidos purificação étnica e não respeito as minorias, é a do exterminio dos indios norte americanos que aconteceu porque tratativas de compra das suas terras não foram bem sucedidas, e simplesmente porque eles não se consideravam donos dela.
 
Como poderiam vender algo de que não eram donos ?
 
Autoritarismo e democracia são intimamente ligados à gestão da relação do povo com a terra.
 
O Brasil, há anos é o pais que tem o maior índice de mortos da defesa do meio ambiente no mundo. Disse a Global Witness, ONG britânica que lida com o respeito dos direitos humanos ligados à causas ambientais, que “há um fator em comum entre os países com maior número de assassinatos são os altos índices de corrupção governamental”.
 
Não pode haver democracia onde não há politica de gestão e respeito ao meio ambiente.
 
O que realmente precisa ser combatido é o recuo do Brasil com relação ao acordo de Paris, que já era ruim per si, o fim das demarcações dos territórios indigenes, e a abertura para mais desmatamento da Amazonia.
 
Com todo o resto, organizações e associações irão lidar. Existe mais de uma para cada medo enraizado no mundo.
 
Mas a relação com a terra deve estar no coração de todos os brasileiros.
 
Se não lutarem para o respeito da terra em que pisam, não estão respeitando a sua bandeira que tem o amarelo do sol e o verde das matas, nao estão sendo patriotas, não estão amando a sua nação mas entregando ela ao monstro do capitalismo.
 

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