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Chanuká, Futebol e milagres

Chanuká, Futebol e milagres
Hoje tem jogo !
Pois, sim, eu gosto de Futebol Americano.
É meu defeito, confesso…
Gosto e não nego. Gosto da inteligencia, da estrategia do jogo, da precisão, do empenho dos jogadores que todos tem curso universitário e sabem o que é gratidão e retribuir para sua comunidade. Assuntos que todos os esportistas, e em especial os jogadores profissionais de futebol do brasil deveria aprender.
E uma das coisas que a Kabbalah nos ensina, é a necessidade de procurar enxergar o “big picture”, ver alem das aparências e da ilusão da realidade.
Todas as coisas são conectadas, tudo é lícito, tudo tem um sentido se procurarmos entender os sinais que o universo nos dá e as lições escondidas por traz deles.
Hoje tem jogo e isso me lembrou que na semana passada, também teve jogos que ocorreram ainda durante Chanuká, o festival das luzes. E assistindo eles, com um olho na tela e outro olho nas velas, foi possível entender um dos verdadeiros sentidos de que é um milagre.
E na semana passada aconteceram não só um, mas dois, pelo menos ao ver dos comentaristas da televisão americana.
O primeiro, meu antigo time do coração, o Miami Dolphins, ganhou de virada, por um ponto, graças a uma jogada espetacular, que como dizem os comentaristas, nunca da certo, que é impossível acontecer. E o fato que os Dolphins tem sido, há temporadas , um time fraco  e que nesse dia venceu um dos melhores da liga fez todo mundo concordar:
Foi um milagre !
Eu disse meu ex time do coração porque anos atras me encantei por outro….
Bem difícil ser fiel, né, muitas tentações neste mundo, especialmente quando teve ano em que o time perdeu, absolutamente, literalmente todos os jogos da temporada.
Assim, este “amor” um tanto superficial acaba rapidinho.
Por isso me encantei por outro: “The New Orleans Saints”.
Por mais superficial que seja este meu amor, há algum fundamento.
Certamente não é por acaso que me apaixonei pela Nova Orleans, um dos dois bastiões reminiscentes da cultura francesas nas Américas. Também não deve ser por acaso que existe ali uma certa forma de espiritualidade à qual sempre se faz referência, mesmo que pela sua magia negra, mas que esta constantemente presente, misturada ao dia dia, como o mostra o grande filme de Alan Parker, “coração satânico”, o qual alias, para quem tem olhos de ver e mente de entender, ilustra um outro importante preceito cabalista.
E também, afinal de contas, são “os Santos” da Nova Orleans então ta tudo certo !.
Sem entrar nos detalhes, o time ganhou 11 jogos consecutivos, com muita força, coragem e técnica e na semana retrasada, perdeu jogando mal, de equipe mais fraca. Portanto quando começou  novamente a jogar super xoxo no jogo seguinte, contra adversário ainda menor, todos ficaram estressados, até que do nada, uma jogada inesperada da defesa mudou o rumo do jogo, devolveu ânimo ao ataque que a partir dali, passou por cima do o adversário sem tomar conhecimento dele,  feito um trem bala, certamente francês, pelo menos descendente, arrogante demais para parar nas estações.
Milagre novamente !.
Mas milagre de futebol serve para que ?
Engordar a conta dos jogadores, sim, mas e para nos ?
Chanuká nos ensina o verdadeiro sentido do milagre, pelo menos um de muitos deles.
Chanuká, o festival das luzes, nos relembra a vitória dos macabeus sobre o império heleno/romano que havia tomado Jerusalém, fechado o seu templo sagrado e apagando a menorah, que ali trazia a Luz divina. (Sabem o candelabro de 7 velas que é simbolo do judaísmo ?)
Pois então contam que quando conseguiram, por milagre, derrotar o inimigo super poderoso com seu exercito pequeno, os macabeus entraram no templo para reascenderem a menorah, e trazer novamente a luz do criador na humanidade, havia somente óleo para queimar durante um dia. No entanto queimou, por um segundo milagre, durante 8 dias que foi o tempo necessário para produzir mais óleo para que a chama não se apagasse mais.
Por isso então, relembrando estes feitos, se ascende hoje, nesse período de 8 dias, velas para trazer sobre nos novamente a energia divina.
Só  que se ascende, uma vela no primeiro dia, duas velas no segundo dia, três velas no terceiro dia e assim até o último dia em que ficam acesas oito velas ao mesmo tempo.
Se fizermos a conta, ao total, são 36 velas.
Ensinam os cabalistas que no momento da gênese, a luz divina, a energia da criação do universo brilhou por 36 horas e depois foi escondida.
Ao ascender as últimas 8 velas das 36, é que se traz a totalidade da luz, que se consegue resgatar a totalidade dessa energia divina original, que é o combustível de todos os milagres.
Mas a lição é que, não basta ascender todas as velas para receber toda a luz, é preciso ir dia após dia, ascendendo uma, depois duas, três, rigorosamente, continuamente, até o final, sem parar.
O milagre verdadeiramente ocorre quando decide-se ascender a primeira vela.
Assim é a vida.
Por mais que a enxerguemos na hora do nascimento da criança, o milagre da criação aconteceu no momento da fecundação e se materializou num choro de alegria, porque durante os nove meses, ficou a mãe cuidando, com carinho e afeto daquele que ainda não podia enxergar.
É como no futebol, o milagre não aconteceu na hora da jogada, mas sim em cada momento em que os jogadores treinavam, em cada hora extra que passaram, continuando quando os outros já haviam se cansado, para se preparar, para merecerem receber o milagre da vitória improvável.
Go Saints !

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